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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Autista sim, e dai????



O Edu é um menino de 7anos, gordinho, simpático, que adora agua, comilão, temperamental, observador, extremamente carinhoso, genioso e autista. Claro que tive meu momento de luto e negação quando tive certeza do diagnostico, mas rapidamente me dei conta que não tinha tempo pra chorar e lamentar, e o que eu tinha que fazer era arregaçar as mangas e partir para luta. Tive muita ajuda nesse caminho, vindo dos lugares e das pessoas as quais eu menos esperava .

Depois de tudo que já passamos, desenvolvi minha super armadura. Hoje pouquíssimas coisas furam meu bloqueio, e passei a adotar uma postura de “sim, meu filho é deficiente, se você se incomoda com isso é um problema seu”, E como consequência atraio as mais diversas reações, começando pelas caretas de dó (como se o Edu fosse um cachorrinho que caiu da mudança), os ataques de fúria contra minha pessoa (claro, seu filho é autista por que você não deu amor suficiente pra ele, ou por que você o chama de deficiente, já que quer pegar a fila preferencial, ou senta-lo no banco amarelo), ou ainda quando o tratam como se o autismo fosse uma doença contagiosa e o Edu uma espécie de leproso fã do Cid, o cientista, e atualmente como se ele fosse um psicopata, ou um terrorista preste a explodir um voo da Gol caso ele não recebesse seu pacotinho de amendoim. 

Mas o mais grave que esse tipo de reação não vem apenas de estranhos randômicos pela rua, mas de familiares próximos.

 Depois de tudo isso quando uma moça japonesa da granja do mercado municipal perto de casa, trata o Edu como uma criança (já que antes de qualquer rotulo é isso que ele é) conversando com ele, e mostrando que daquela vez o ovo branco era maior que o ovo vermelho que ele cismava em querer. Realmente fez meu final de ano muito mais feliz.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Sobre o sumiço


Sumi no último mês, digamos que foi um mês bem complicado, mas as coisas já voltaram aos eixos. 

Descobri o quanto é desgastante levar o Edu pra escola de manhã, voltar para busca-lo, tentar arrumar a casa, cozinhar tudo isso com um menininho autista autistando por ai e uma bebéia que acredita ser o centro do universo, e chora quando fico mais de 5 segundos fora do campo de visão dela.

Já passei horas chorando pensando o quando eu poderia ver a manicure novamente ou lavar meu cabelo sem um carrinho de bebê dentro do banheiro, o terminar de ler o livro que comecei a mais de dois meses.

Mas esse final de semana, vendo o quanto a Valentina já cresceu, o quanto ela anda espertinha, o Edu fazendo papel de irmão mais velho e brincando com ela, e os dois conversando vejo o quanto tudo valeu a pena.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Distúrbios do sono?????


Eu realmente me pergunto o que leva as pessoas a fazerem comentários totalmente estapafúrdios que não foram solicitados. Quando estava grávida cansei de ouvir vários deles, em especial quando eu dizia que estava me preparando para ter parto normal, coisas como “Que horror, você vai sofrer a dor da morte” (meu primeiro parto foi normal, então eu conhecia bem as dores) ou “como assim, você não sabe a data que a Neném vai nascer? Eu tenho viagem marcada, você tem que marcar logo essa data”.

Quando ela nasceu, os comentários não pararam, na verdade se tornaram até mais ameaçadores “tá muito quente, você tem que dar água para essa criança ou ela vai morrer desidratada”, “só o peito não sustenta, você tem que dar mingau de arroz com NAN pra ela engordar” (será que ela num vai ficar mais ‘sustentada’ com um bom prato de feijoada e couve refogada?), “ela vai ficar com a coluna torta e acabar caindo de ficar andando nesse lençol amarrado ai” (claro, e na barriga eles ficam super retinhos).

Mas o que mais me revoltou foi um comentário que eu ouvi logo que cheguei em casa (na verdade ouvi uma séries de comentários bem infelizes, mas vamos relevar alguns), de que eu não deveria ficar com ela no colo, que deveria coloca-la  no berço, mesmo que ela chorasse já que criança no colo fica manhosa.

A Valentina passou 42 semanas dentro de mim, praticamente 1 ano, e agora eu simplesmente vou deixa-la chorando no carrinho, para não ficar manhosa, é no mínimo perturbador.


Já estou perfeitamente ciente de que quando a Valentina for para a creche, ficará chorando sozinha por um bom tempo até se acostumar, e realmente sofro antecipadamente por isso, mas sei que é um mal que não se pode evitar, agora por qual razão, eu vou antecipar esse sofrimento, ao invés de curtir esses 6 meses que eu tenho com a minha filha? Para ela não ficar manhosa, mimada?

Bebês não são produtos eletrônicos, que vem com manual de instruções, então eu não engulo esses livros com formulas mágicas para encantar bebê, e engulo menos ainda uma revista de grande circulação, dizendo que bebês recém-nascidos tem distúrbios de sono, quando na verdadade estão apenas tentando se adaptar a vida fora do útero, engravidei sabendo que muitas noites não dormidas me aguardavam.


 Agora tortura psicológica virou método de educar criança.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Valentina - Ludov


Valentina, o céu do teu olhar.
Ilumina um jardim imperial
Conduz a vida nessa paz azul
Pra sempre encontrar
Janelas pro mar
Valentina.

Valentina, escuta o coração
Que palpita perturbando a razão
Expõe teus sonhos aos raios de luz
Pra estar sempre assim de frente ao jardim
Valentina.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Relato de parto.


Já se foram dois post falando do meu parto, e agora vamos para o terceiro, mas agora com as minhas impressões.

Tinha certeza que queria um parto normal, pela rápida recuperação, já que sabia que teria que cuidar da Valentina e do Edu sozinha, quando tivesse alta. Fora as tarefas de casa, cozinhar, lavar, passar. E também por já ter noção do que me esperava, Edu já tinha nascido de parto normal, e apesar de não ter sido a melhor das experiências da minha vida (isso é uma outra história...), tinha mais medo do desconhecido que a cesária traria.

O parto da Valentina foi muito tranquilo e muito rápido, e eu percebi a enorme diferença que faz uma doula na sala de parto, que faz uma equipe médica mais humana.  

Ela nasceu em um hospital do sus, e eu não tenho vergonha em admitir isso, já que tudo saiu como eu planejava, e sinceramente fui muito melhor tratada do que no consultório do obstetra que começou meu pré-natal e queria agendar minha cesária quando eu estava com nem 2 meses de gravidez, se utilizando dos argumentos mais estapafúrdios, subestimando minha inteligência.